O governo alemão quer dar a Grécia uma ajuda financeira para que o país lide, em seu próprio território, com a crise de imigração que atinge a Europa, em vez de mandar os imigrantes vindos do Oriente Médio para a região central do continente.
Com mais de 7.000 refugiados chegando em ilhas gregas diariamente e uma crise econômica sem precedentes, a Grécia receberia um suporte financeiro da Alemanha em troca de um esforço mais eficaz no controle de suas fronteiras, segundo afirma o jornal britânico "The Guardian".
Deixando claro que o apoio na contenção da crise imigratória não teria relação com a crise econômica grega, como sugeriu a imprensa alemã, o governo alemão admitiu que a economia da Grécia está em um momento muito delicado para que o país seja capaz de lidar com a crise imigratória sozinho.
"Queremos apoiar a Grécia nesta questão, para que, como integrante da União Europeia, ela seja capaz de proteger suas fronteiras de forma mais efetiva", afirmou o porta-voz do governo alemão Steffen Seibert.
"Não devemos ligar a crise imigratória com a crise financeira grega. O que posso dizer é que existe uma convicção em toda a Europa de que precisamos urgentemente lidar com esta situação nas regiões fronteiriças externas do bloco, assim como no mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia", justificou Seibert. Segundo ele, o objetivo principal é ajudar as pessoas e impedir que os contrabandistas atuem, arriscando a vida dos outros.
Sem acordo com a Turquia
Após líderes europeus declararem que teriam fechado um acordo com a Turquia sobre a crise migratória, o governo em Ancara negou nesta sexta-feira (16) ter chegado a um consenso com a EU e afirmou que o plano de ação comum é apenas um "esboço".
O ministro turco do Exterior, Feridun Sinirlioglu, criticou ainda a ajuda financeira sugerida pelo bloco, a qual chamou de "inaceitável". Em troca de colaboração na crise migratória, a Turquia pede 3 bilhões de euros. A União Europeia, porém, teria oferecido 1 bilhão de euros.
O acordo prevê a flexibilização da exigência de visto para cidadãos turcos e uma ajuda financeira em troca da colaboração da Turquia para conter o fluxo migratório em direção à Europa.
Críticas à União Europeia também foram feitas nesta sexta-feira pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que aproveitou a ocasião para reiterar a adesão do país ao bloco. Ele afirmou que a Europa só percebeu agora que sua segurança e estabilidade dependem da Turquia.
A Turquia, país vizinho da Síria, é, para os europeus, um parceiro-chave para conter o fluxo migratório que chega à Europa. Estima-se que cerca de 2 milhões de refugiados foram acolhidos em território turco. (Com agências internacionais)